Apenas mais um 'encosto' !

... Só sabemos que queremos, sem nem mais saber por que queremos.

É bem o tipo de coisa que começa sem propósito algum, meio que de brincadeira, e que depois de algum tempo consome nossa paz sem piedade alguma.

- Eu não preciso disso! – Repito inúmeras vezes, na tentativa frustrada de me enganar. Mas quanto mais tento ‘tentar’ esquecer, mais lembro... E quanto mais lembro, mais ódio tenho!


Odeio a mim por não conseguir superar pequenas desventuras de minha vida, coisas que teimam em se repetir...


Já falei disso outras vezes: Vidas normais não têm graça alguma! O bom é a turbulência alheia, somada as inquietudes de nossos corações!!! (risos)

Como em todas as outras vezes, eu estou tentando fazer a minha parte, falta agora o comprometimento das outras partes envolvidas.

PS: 5 dias!


(C. Henrique de O. Nogueira)

Conto "Por um amor caído!"

Andava pela rua tentando encontrar meu coração que foi perdido em um bar quando a vi caída em uma esquina, ainda segurando o seu copo de cachaça barata. (É. Cachaça barata!)

A princípio custei a acreditar que ela realmente chegara a esse ponto, mas não me demorei em tentar ajudá-la. Estava tão trôpega quando a levantei. Cruzava os pés na insistente tentativa de se manter de pé. Ensaiou algumas justificativas e explicações para aquilo, mas confesso que nem reparei nas frases sem nexo que ela conseguia, silabicamente, “recitar”.

Meu amor estava bêbado, e essa era a única verdade que regia aquele momento.

A levei para casa, e depois de muitos tropeços e passos tortos que usavam as paredes como apoio, conseguimos chegar.

Algo me dizia que aquela seria uma noite longa...

Com muito esforço a convenci a tomar um banho, a despi e a levei para o chuveiro.

Naquele momento nem sequer reparei na beleza de seu corpo... Nos seus seios fartos... Suas cochas morenas... (E agora que lembro me perco) Só lembrei de que banhos frios ajudam!

Depois do banho a enrolei em um cobertor e a levei para a cama.

Ela, já sem muita consciência, dormiu quase que instantaneamente ao encostar-se na cama.

- Aquela era a visão mais bela que eu já tive.

Deitada ali nem parecia que acabara de sair de um porre, e que horas atrás estava caída em uma calçada. Já eu, sem ter muito que fazer, sentei no sofá e acabei dormindo também.

...

O sol, que entrava por uma janela, agora batia em meu rosto, e eu acordava aos poucos.

Abri os olhos e a vi, parada, de pé, na minha frente, usando apenas aquele cobertor que eu havia usado para cobri-la. Sem falar nada ela se aproximou. Inclinou-se para frente. Apoiou uma das mãos no braço do sofá (a outra segurando o cobertor). Nossos rostos agora estavam próximos.

Os meus olhos estavam fixos nos dela quando os vi fechando. Inconscientemente fechei os meus, e quando percebi nossos lábios haviam se tocado. No segundo seguinte eu podia sentir todo o peso do seu corpo sobre o meu, e minhas mãos já estavam a abraçando.

Sentia-me como se não tivesse mais controle sobre o meu corpo, e aquela sensação era maravilhosa.

Os beijos aumentavam enquanto as minhas roupas eram tiradas, e o cobertor que a cobria já não se achava mais... Duraram muito tempo aqueles toques e movimentos abdominais, e depois de alguns sussurros um sentimento de paz invadiu nossos corpos suados.

Após alguns minutos a mais que passamos abraçados naquele sofá, me levantei. Peguei minhas roupas, me despedi e sai.

(C. Henrique de O. Nogueira - Setembro de 2007)

Heróis nunca morrem! (mas tiram férias vez por outra)

Dentro de cada um de nós existe um herói querendo sair pra esticar as pernas, mas na maioria dos casos nossos heróis interiores são guardados em caixas tão apertadas, jogadas em abismos tão profundos que eles jamais conseguirão dar o ar da graça por aqui.

Existe também o oposto disso, onde o nosso herói interior é quase uma segunda personalidade, que sempre que possível toma as rédeas de nossas vidas. Nesses casos pode até haver um singelo conflito entre as partes envolvidas, mas nada que não possa ser resolvido facilitando-se um pouco a ação do ‘lado negro da força’.

Mas uma coisa é sabida, uma vez libertado, o herói jamais sairá totalmente de cena. Podemos tentar de todos os artifícios possíveis pra ‘destruir’ nossos heróis, mas quando menos se espera ele está de volta, e com força total, como se estivesse descansando em uma colônia de férias, só esperando o momento de agir.

É uma coisa tipo ‘gênio bom’ e ‘gênio malvado’, ‘anjinho’ e diabinho’... Essas coisas.

Eu digo: Ser herói é bom, revigora... Mas também cansa e desgasta!

A todos os heróis de plantão, o meu sincero “boa sorte”.


(C. Henrique de O. Nogueira)

"As escolhas que se faz..."

“Eu já fingi ser muito melhor
Eu já aprendi ser pior
Mas sem mentira...”


Uma grande amiga minha, já citada em outras postagens, me disse pra ‘trazer’ pra 2010 apenas as coisas boas, as que fossem realmente valer a pena.


Bom, seguindo este conselho, eu tentei resolver o máximo de ‘desentendimentos’ possíveis ainda no ano passado, e insistir apenas nas coisas que fossem valer, mas eu percebi que ainda estou nesse processo de resoluções, análises e ‘pesagens’...


Pois bem...


Chegou a hora de terminar um velho livro, encapá-lo e guardar embaixo do armário, dentro daquela caixinha de lembranças que a gente só abre quando quer escrever sobre algo que nem lembrava mais...


Acho que (por enquanto) é isso!


"É preciso ter força pra aguentar a angústia das escolhas que se faz..."


(C. Henrique de O. Nogueira)

Ouçam "A-podos"

Hoje pela manhã eu estava ouvindo a "ao vivo" da banda "A-podos", e eles fizeram umas versões de músicas muito boas que eu não conhecia!


Três delas foram tocadas numa espécie de "pout pout ri" (nem sei se é assim que se escreve isso), e ficou muito bom!

Foram elas "Espumas ao vento", do Fagner, "A flor da pele", do Zeca Baleiro, e "Revelação", também do Fagner!

Bom, eu gostei!

__________________________________

"Sei que ai dentro ainda mora um pedacinho de mim
Um grande amor não se acaba assim
Feito espumas ao vento..."

"Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final..."

"Quando a gente tenta
De toda maneira dele se guardar
Sentimento ilhado, morto e amordaçado
Volta a incomodar..."

... pode ser ambíguo!

Tenho a sensação de estar em um filme sendo acelerado por alguém que quer chegar logo ao clímax!

Vejo-me em meio a uma sucessão de acontecimentos, desencontros, desagrados... Informações sendo jogadas na mesa como cartas de baralho, e eu sem ter sequer tempo de organizá-las. A cada minuto tenho que encontrar novas saídas, sacadas, caminhos...

Isso cansa vocês sabiam?

O melhor de tudo é quando a gente recebe informações atrasadas, informações que seriam indispensáveis pra se evitar certos problemas, e quando elas finalmente chegam já é tarde demais... Você tem que ouvir, assimilar, e já inventar uma maneira de escapar disso tudo com vida! (ou uma vida saudável... se é que vocês me entendem)

PS: Se aceita tudo, mas escolhe-se o que se quer ver, ouvir ou fazer!


(C. Henrique de O. Nogueira)

Retrato pra iaiá - Los Hermanos

Iaiá, se eu peco é na vontade
de ter um amor de verdade.
Pois é que assim, em ti, eu me atirei
e fui te encontrar
pra ver que eu me enganei.

Depois de ter vivido o óbvio utópico
te beijar
e de ter brincado sobre a sinceridade
e dizer quase tudo quanto fosse natural
Eu fui praí te ver, te dizer:

Deixa ser.
Como será quando a gente se encontrar ?
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar.
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar.

De perto eu não quis ver
que toda a anunciação era vã.
Fui saber tão longe
mesmo você viu antes de mim
que eu te olhando via uma outra mulher.
E agora o que sobrou:
Um filme no close pro fim.

Num retrato-falado eu fichado
exposto em diagnóstico.
Especialistas analisam e sentenciam:
Oh, não!

Deixa ser como será.
Tudo posto em seu lugar.
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.

Deixa ser.
Como será.
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê.

Super!

Quantas vezes eu vou ter que cair
tropeçar na minha própria capa
um super herói
que não sabe voar

E sempre que recebo um chamado
um sorriso estampar
pego a "super bike"
uma donzela salvar

E eu não entendo pra que servem os poderes
quando a sua pele você não pode salvar

(C. Henrique de O. Nogueira)

A Janela - O Círculo

Mais um passo
Nesse espaço
Tanto espaço
E ainda assim

O mundo é pequeno pra mim(a ele é)

A janela
Forma uma tela
O mundo todo dentro dela

É pequeno pra mim

Olho milhares de fotos
Jornais
Tantos lugares
E nada

Não quero ver tv nessa janela
Janela
Não quero ficar preso
Nela

Talvez por ter vivido só
Eu tenha me feito assim
Eu criei um mundo bem maior
E melhor
Pra mim


Metade inteira de mim!


E como há muito não fazia, sentou-se diante de seu caderno e começou a rabiscar.

Suas motivações estiveram distantes por muito tempo, muito mais tempo do que ele costumava suportar, e por tanto estava tenso, inquieto, sem saber como organizar suas idéias para que pudesse começar seus rabiscos de maneira certa...


Acalmou-se, e então escreveu!


"Quisera eu poder dividir-me em dois

Poder escolher quais partes de mim colocar em cada um

E só assim sofrer em metade, me doar em metade...

Ser metade de mim para os outros

E uma metade inteira só de mim."


(C. Henrique de O. Nogueira)